Grupo usava falsas bênçãos para trocar cartões e furtar idosos no DF

Divulgação/PCDF

Três homens investigados por furtos mediante fraude contra idosos foram presos pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) no fim da tarde desta segunda-feira (31/8), durante a Operação Keep The Faith. A ação foi realizada pela 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá).

Segundo a investigação, o grupo, formado por suspeitos vindos da Bahia, atuava de maneira itinerante e percorria diferentes estados em busca de novas vítimas. Os criminosos abordavam principalmente idosos e pessoas em situação de maior vulnerabilidade, oferecendo produtos, medicamentos ou supostos “elixires” relacionados à saúde.

Durante a abordagem, eles buscavam conquistar a confiança das vítimas e obter informações pessoais, familiares e financeiras. Em seguida, apresentavam a suposta existência de um “curandeiro”, que faria orações e trabalhos espirituais, inclusive para melhorar a situação financeira da pessoa.

As vítimas eram então levadas até outro integrante do grupo, que simulava rezas e rituais para “abençoar” os cartões bancários. Durante a encenação, o cartão verdadeiro era retirado e trocado por outro sem valor.

O cartão falso era colocado em um envelope ou invólucro e entregue à vítima, que era orientada a mantê-lo fechado por cerca de sete dias para que a suposta oração tivesse efeito. Nesse período, segundo a PCDF, os criminosos usavam o cartão verdadeiro para fazer compras e saques, muitas vezes antes de a vítima perceber a fraude.

Até o momento, os prejuízos relacionados ao grupo ultrapassam R$ 50 mil. A polícia afirma que esse valor pode aumentar com a identificação de outras vítimas.

Grupo circulava por diferentes estados

As investigações apontam que os suspeitos utilizavam a mobilidade para dificultar a identificação e a ligação entre os crimes. Eles estiveram no Distrito Federal em junho e julho deste ano e são relacionados, até agora, a pelo menos quatro ocorrências.

Depois, o grupo teria passado por Minas Gerais, Bahia e São Paulo, antes de retornar novamente ao Distrito Federal. Para os deslocamentos, utilizava um veículo alugado.

Desta vez, os três investigados voltaram ao DF sem saber que estavam sendo acompanhados pelos policiais. Eles foram presos em um churrasquinho no Setor M Norte, em Taguatinga, onde, segundo a investigação, aparentemente comemoravam ações realizadas durante o dia.

A PCDF afirma que a mobilidade dos suspeitos dificultava o trabalho de identificação, já que eles deixavam rapidamente cada unidade da Federação após os crimes. Com isso, os registros ficavam espalhados em diferentes estados, dificultando inicialmente a percepção de que os casos poderiam estar ligados ao mesmo grupo.

Após a prisão, foi estabelecida fiança de R$ 30 mil para cada um dos três investigados. Um advogado constituído esteve na delegacia para tentar providenciar o pagamento, mas o valor total para a liberação dos três chegaria a R$ 90 mil.

As circunstâncias financeiras verificadas após as prisões, os deslocamentos frequentes e a estrutura utilizada pelo grupo serão analisados pela polícia. A investigação também busca verificar a participação de outras pessoas e se existe uma organização criminosa mais ampla.

Os envolvidos devem responder, inicialmente, pelos crimes de associação criminosa e múltiplos furtos mediante fraude. Outras responsabilizações poderão ocorrer caso novos fatos sejam identificados.

Polícia busca outras vítimas

A 6ª DP alerta que outras pessoas podem ter sido vítimas do grupo sem perceber a relação com os suspeitos. A polícia pede que quem reconheça os investigados ou tenha passado por situação semelhante procure a delegacia mais próxima para registrar a ocorrência.

A orientação é especialmente voltada a pessoas abordadas nas proximidades de agências bancárias por indivíduos que ofereciam produtos de saúde, prometiam curas ou faziam propostas de orações, bênçãos e supostos trabalhos para melhorar a vida financeira.

Como os suspeitos não são do DF e atuavam em diferentes estados, a polícia considera que podem existir outras ocorrências ainda não registradas ou casos já registrados, mas que permanecem sem autoria definida.

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