Homem que manteve grávida em cárcere no DF estuprou e torturou mulher

Foto: Divulgação/PCDF

O resgate de uma gestante mantida em cárcere privado no Incra 9, em Ceilândia, revelou uma rotina de violência ainda mais grave. A mulher, de 36 anos, relatou ter sido agredida, ameaçada, submetida a atos de tortura e obrigada a manter relações sexuais sem consentimento.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) localizou a vítima na segunda-feira (24/8), depois de receber uma denúncia anônima. Ela estava grávida de sete meses, enfrentava uma gestação de alto risco e apresentava hematomas em diferentes partes do corpo, inclusive na região abdominal.

O caso havia sido noticiado inicialmente pelo Acorda DF após a libertação da mulher. Com o avanço das apurações, novos relatos mostraram que o cárcere não se limitava ao impedimento de sair de casa: o suspeito também teria destruído o celular da companheira e controlado os contatos dela com outras pessoas.

Segundo a investigação, a vítima teria sofrido queimaduras provocadas por cera quente. Parte das agressões também teria sido gravada e usada pelo homem como instrumento de ameaça e chantagem, prolongando o medo mesmo dentro da residência.

A mulher e o suspeito mantinham um relacionamento havia cerca de nove meses. Eles teriam se conhecido em Goiânia antes de se mudarem para o Distrito Federal. O homem trabalhava como granjeiro e morava em uma casa próxima ao local de trabalho, de onde, conforme a apuração, conseguia vigiar os movimentos da companheira.

A denúncia chegou à polícia em 17 de agosto. Durante uma semana, os investigadores fizeram diligências para identificar o endereço indicado e confirmar as informações antes de entrarem no imóvel.

O suspeito, de 37 anos, foi localizado e preso em flagrante no mesmo dia do resgate. Após audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva, e ele foi encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda.

O inquérito apura crimes como cárcere privado, estupro, lesão corporal, injúria e dano qualificado. As condutas ainda serão individualizadas durante a investigação, e a responsabilidade criminal dependerá da conclusão do procedimento e da análise da Justiça.

A condição médica atual da gestante não foi detalhada publicamente. A identidade da vítima permanece preservada para evitar exposição e revitimização.

A denúncia anônima foi decisiva para interromper a violência. Casos em andamento devem ser comunicados à Polícia Militar pelo 190. Denúncias e orientações também podem ser solicitadas pelos telefones 197, da PCDF, e 180, da Central de Atendimento à Mulher.

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