Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República no segundo turno, no domingo (25/10), e será o primeiro político a comandar o país quatro vezes pelo voto direto. Com 99,9% das seções apuradas, ele tinha 51,77% dos votos válidos, mais de 64,1 milhões de votos.
Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 48,23% dos válidos, cerca de 59,7 milhões de votos. A diferença ficou perto de 4,4 milhões. É a primeira vez desde a redemocratização que o segundo colocado no primeiro turno vence a disputa presidencial. Em 4 de outubro, Flávio tivera 47,03% e Lula, 45,16%.
No Distrito Federal, o resultado foi inverso. Flávio venceu na capital com 979.542 votos, 54,28% dos válidos, contra 825.224 de Lula, 45,72%. Ainda assim, o petista ganhou quase 150 mil votos no DF em relação ao primeiro turno.
A segurança pública deve ser um dos principais desafios do quarto mandato. O tema ganhou peso na campanha com o avanço das facções criminosas e dos crimes digitais, e foi uma das bandeiras mais exploradas pelo adversário.
A principal promessa de Lula na área é criar o Ministério da Segurança Pública, para coordenar com estados e municípios as ações contra o crime organizado. A nova pasta, porém, depende da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que ainda tramita no Congresso Nacional.
O plano de governo também prevê ampliar o programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio deste ano, com previsão de R$ 11 bilhões em recursos diretos e linhas de crédito. A proposta inclui combater o tráfico de armas, reforçar os presídios federais e bloquear o dinheiro das facções.
Durante a campanha, Lula também mudou de posição sobre a maioridade penal. Depois de se opor por cerca de duas décadas à redução, passou a defender, em outubro, a punição a partir dos 16 anos para crimes hediondos. A proposta é mais restrita que a de Flávio, que defende a redução geral para 16 anos.
Em ato na Avenida Paulista, em 11 de outubro, o presidente resumiu a promessa para a área. “Para o povo trabalhador, para a comunidade, para o território, proteção; para os bandidos, prisão”, disse. Na ocasião, afirmou que o governo federal poderia atuar mais diretamente contra o crime caso a PEC seja aprovada.
As mudanças dependem do Congresso, onde emendas constitucionais exigem aprovação de três quintos dos deputados e dos senadores, em dois turnos de votação em cada Casa. A nova composição do Legislativo foi definida no primeiro turno.
Lula completa 81 anos nesta terça-feira (27/10) e já afirmou que este será seu último mandato. A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027, data fixada para o presidente da República por uma emenda constitucional aprovada em 2021. Ao fim do mandato, ele somará 16 anos na Presidência.







