Uma empresa aberta no Distrito Federal em julho de 2020 emitiu mais de R$ 7 milhões em notas fiscais no mês seguinte, embora não tivesse conta bancária. As operações estão no centro da investigação que levou à Operação Circuito dos Metais, deflagrada nesta quinta-feira (10/09).
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura suspeitas de fraude fiscal e lavagem de dinheiro no setor de sucatas. São cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e São Paulo, com apoio das polícias locais.
A Justiça autorizou o sequestro de bens, direitos e valores até R$ 56,8 milhões. A medida abrange recursos financeiros, uma aeronave estimada em R$ 8 milhões, seis veículos de luxo e um imóvel, para assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Segundo os investigadores, a empresa do DF emitiu 49 notas entre 6 e 24 de agosto de 2020. O responsável formal não apresentou movimentações financeiras com a destinatária dos documentos. Posteriormente, o cadastro da fornecedora foi cancelado por inexistência de fato.
A destinatária, sediada em São Paulo, recebeu R$ 108,38 milhões e repassou R$ 107,80 milhões entre julho de 2020 e julho de 2024. Esses valores correspondem às movimentações analisadas, não ao prejuízo fiscal comprovado.
As transferências alcançaram empresas que compartilhavam sócios ou responsáveis, endereços e contatos. Algumas não tinham empregados cadastrados e apresentavam estruturas consideradas incompatíveis com o volume financeiro.
A suspeita é que essa rede servisse para gerar créditos tributários fraudulentos, distribuir recursos e esconder seus beneficiários. A apuração também identificou empresas de locação de veículos, comércio de roupas e holdings na circulação de bens.
Conforme a participação demonstrada, os investigados poderão responder por organização criminosa, crimes tributários, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O release não informa prisões nem apresenta manifestações das defesas.








