Operação mira site que vendia dados sigilosos de brasileiros

Foto: Divulgação/PCDF

Uma plataforma clandestina que vendia dados pessoais de milhões de brasileiros por mensalidade foi alvo de operação policial na manhã desta quinta-feira (24/9), com mandados cumpridos em seis estados.

Mais de 80 policiais participaram da ação, batizada de Operação Perseu7 e conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, da Polícia Civil do Distrito Federal. Foram 13 mandados de prisão temporária e buscas em São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco.

O funcionamento do serviço era simples e por isso mesmo perigoso. Mediante pagamento de mensalidade, o assinante digitava um CPF ou um CNPJ e obtinha nome, filiação, endereço, documentos, vínculos e até os processos judiciais da pessoa consultada. As bases somavam centenas de milhões de registros.

A origem desse material é o ponto central. Segundo a apuração, os dados vinham de vazamentos e da exploração de vulnerabilidades em sistemas de órgãos públicos, conselhos profissionais e operadoras de telefonia.

O resultado era um insumo pronto para o crime. Estelionatários de todo o país recorriam à plataforma e saíam com o roteiro do golpe montado. O exemplo mais direto é o do falso advogado: de posse dos dados reais do processo da vítima, o criminoso se apresenta como defensor e exige pagamentos.

O modelo se repete em outras fraudes que circulam no Distrito Federal. Há poucas semanas, uma moradora perdeu mais de R$ 3 mil depois que golpistas se passaram pela Defensoria Pública e citaram informações verdadeiras de um processo do qual ela era parte.

A estrutura do grupo era empresarial. A investigação identificou 13 integrantes com funções definidas: um núcleo de liderança e gestão financeira, desenvolvedores, fornecedores das bases de dados, operadores de fraudes e de contas abertas em nome de terceiros, além de responsáveis por anúncios e vendas.

Entre março de 2021 e março deste ano, o faturamento passou de R$ 7 milhões, dos quais mais de R$ 4 milhões apenas no ano passado. Os lucros eram ocultados por meio de empresa de fachada, contas que concentravam recursos de várias origens e movimentação triangulada de criptomoedas entre os líderes.

O grupo já finalizava uma segunda plataforma do mesmo tipo quando foi alcançado pela operação.

A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens, valores e criptoativos até o limite de R$ 7 milhões, medida que alcança imóveis, veículos de alto padrão e uma embarcação. Também foi determinada a retirada do site do ar.

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