Serial estuprador usava brinquedos e comida para atrair crianças no DF, diz polícia

Foto: Divulgação/PCDF

Nesta quarta-feira (22/7), um homem de 52 anos foi preso em São Sebastião sob suspeita de cometer violência sexual contra duas crianças da mesma família. Segundo a investigação, ele usava brinquedos, livros e alimentos para atrair os menores até a própria casa.

O caso é investigado pela 30ª Delegacia de Polícia, vinculada à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O homem vivia sozinho no bairro São Bartolomeu e mantinha uma relação de proximidade com os responsáveis pelas crianças.

A confiança construída com a família teria permitido que os menores frequentassem o imóvel em diferentes ocasiões. As suspeitas chegaram à polícia depois que um familiar procurou a delegacia e comunicou os possíveis abusos.

As identidades das crianças foram preservadas. Os detalhes sobre os episódios também não serão reproduzidos para evitar exposição e revitimização.

Dentro da residência, os investigadores encontraram brinquedos, gibis, livros, lápis de cor e alimentos. A suspeita é de que os objetos fossem utilizados para despertar o interesse das crianças e facilitar a aproximação.

Oferecer presentes ou comida, isoladamente, não comprova uma situação de violência. O alerta deve aumentar quando um adulto tenta criar segredos, insiste em permanecer sozinho com a criança, oferece vantagens sem o conhecimento da família ou busca afastá-la dos responsáveis.

A proximidade com vizinhos, parentes ou amigos não elimina a necessidade de supervisão. Responsáveis devem saber onde as crianças estão, quem estará no local e por quanto tempo permanecerão fora de casa. Também é importante ensinar, de maneira adequada à idade, que nenhum adulto pode exigir segredo sobre situações que provoquem medo, vergonha ou desconforto.

Durante as buscas, a polícia apreendeu cinco celulares e um recipiente com pelo menos dez dentes, alguns com aparência infantil. O material será encaminhado para análise.

Não há confirmação de que os dentes pertençam às vítimas ou tenham qualquer relação com os crimes investigados. A perícia deverá verificar a origem e avaliar se é possível estabelecer algum vínculo com outras pessoas.

O delegado responsável afirmou que o achado foge da normalidade e que nenhuma hipótese será descartada antes da conclusão dos exames. Questionado sobre o recipiente, o investigado disse não saber como os dentes chegaram ao imóvel. Ele confirmou que conhecia as crianças e que as recebia em casa, mas negou ter cometido violência sexual.

Os celulares também serão examinados. A polícia busca mensagens, imagens, vídeos e outros arquivos que possam contribuir para o esclarecimento do caso.

A PCDF trabalha com a possibilidade de que outras crianças tenham frequentado a residência. Por esse motivo, a imagem do investigado foi divulgada para auxiliar na identificação de eventuais vítimas.

O simples contato com o homem não significa que uma criança tenha sofrido violência. Famílias que reconheçam situações semelhantes, no entanto, devem conversar com os menores de forma cuidadosa e procurar a rede de proteção.

A prisão preventiva não representa condenação. A responsabilidade criminal dependerá das provas reunidas no inquérito, dos resultados das perícias e de eventual processo judicial.

Mudanças repentinas de comportamento podem indicar que uma criança enfrenta alguma situação de sofrimento, embora nenhum sinal isolado confirme abuso.

Medo incomum de determinada pessoa ou lugar, recusa em visitar um adulto, dificuldade para dormir, isolamento, agressividade e queda no desempenho escolar merecem atenção.

Alterações na alimentação, regressão de comportamentos já superados e manifestações incompatíveis com a idade também devem ser observadas.

O diálogo precisa fazer parte da rotina, e não começar apenas diante de uma suspeita. A criança deve saber que pode contar experiências desconfortáveis sem ser castigada ou responsabilizada.

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