Movimentos sociais ligados à pauta da moradia realizaram uma manifestação nesta terça-feira (9), em frente ao Ministério das Cidades, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O ato terminou em confronto com a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), que utilizou spray de pimenta para dispersar parte dos manifestantes.
As versões sobre o início da confusão divergem. A PMDF afirmou que o grupo tentou invadir o prédio do ministério e que a situação foi controlada pelas equipes de segurança, sem registro de prisões. Já os organizadores do protesto negam qualquer tentativa de ocupação e dizem que o ato era pacífico.
Segundo integrantes dos movimentos, o grupo estava sob a marquise do edifício para pressionar por uma reunião com representantes do governo federal. Vídeos feitos pelos participantes mostram policiais formando um cordão de isolamento na entrada do ministério antes do uso do spray de pimenta.
O coordenador da União dos Movimentos de Moradia de São Paulo (UMM-SP), Thiago Gallo, afirmou que os manifestantes buscavam diálogo com o governo e criticou a ação policial. Fábio Padilha, da Central Única das Favelas (Cufa), disse que havia idosos, mulheres e crianças próximos à entrada do prédio e negou qualquer tentativa de forçar a porta do ministério.
Segundo o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), cerca de 350 famílias participavam do ato e esperavam ser recebidas para negociar pautas relacionadas à moradia popular. A confusão afetou inclusive funcionários do ministério. Um servidor relatou que chegou ao prédio pouco antes das 10h e foi atingido pelos efeitos do gás enquanto tentava entrar para trabalhar.
Manifestação
O protesto em Brasília integra uma mobilização nacional iniciada na segunda-feira (8). Participam do movimento entidades como MLB, Movimento por Trabalho e Direitos (MTD), Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), União Nacional por Moradia Popular (UNMP) e Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM).
A principal reivindicação é a ampliação das contratações do programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades, financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). Segundo os movimentos, cerca de 100 mil propostas de moradias populares foram apresentadas em todo o país, mas o orçamento atual permitiria atender apenas entre 21 mil e 35 mil unidades.
As lideranças criticam o que consideram uma baixa participação da modalidade gerida por entidades comunitárias dentro do programa habitacional federal e defendem uma reunião direta com a Casa Civil e a Secretaria de Relações Institucionais para discutir a ampliação dos recursos.
Em nota, o Ministério das Cidades destacou a recriação da pasta e afirmou que, desde o início do atual governo, mais de 2,4 milhões de unidades habitacionais foram contratadas em diferentes modalidades do Minha Casa, Minha Vida.
O ministério informou ainda que divulgará nos próximos dias uma lista de ampliação das entidades selecionadas no programa MCMV Entidades.






