Briga no PL de Goiás após ausência de Wilder em votação no Senado

Foto: Sérgio Rocha/Alego

Na quinta-feira (07/05), um embate entre dois deputados estaduais do PL escancarou a tensão que tomou conta do partido em Goiás desde a ausência do senador Wilder Morais em uma votação decisiva no Senado Federal. O clima saiu do campo político, avançou para ofensas pessoais e terminou com ameaça durante sessão na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

A origem da crise está na votação realizada na quarta-feira (29/04), quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). No registro oficial da Casa, Wilder Morais aparece como “não compareceu”, enquanto os outros dois senadores goianos votaram.

A ausência do senador passou a repercutir mal entre aliados e abriu uma frente de desgaste dentro do próprio PL. Na Alego, o primeiro a transformar a insatisfação em cobrança pública foi o deputado Amauri Ribeiro, que criticou a postura de Wilder durante sessão no dia 30/04. Ao comentar o resultado da votação, ele afirmou que um único voto poderia ter pesado no desfecho e classificou a ausência como “uma vergonha para o Estado de Goiás”.

A reação veio logo depois. Na sessão seguinte, o deputado Major Araújo saiu em defesa de Wilder Morais, que também é apontado como pré-candidato ao governo de Goiás. O debate, que começou em torno da atuação do senador, rapidamente migrou para ataques sobre trajetória política e lealdade partidária. Amauri, que entrou no PL no início de abril após deixar o União Brasil, passou a ser alvo direto do colega.

O confronto foi subindo de tom ao longo dos dias. Na quarta-feira (06/05), participando remotamente, Amauri anunciou que cancelaria compromissos no interior do estado para estar presencialmente na sessão seguinte e resolver a discussão “olho no olho”. A fala já indicava que o ambiente no plenário estava longe de uma simples divergência política.

Na manhã de quinta-feira (07/05), a tensão explodiu. A sessão precisou ser encerrada antes do fim após uma sequência de provocações entre os dois parlamentares. Major Araújo chamou Amauri de “Joice Hasselmann do PL”, numa tentativa de associá-lo a oportunismo e ataques contra nomes do próprio partido. Do outro lado, veio o troco: Major foi chamado de “soldadinho de brinquedo”. O bate-boca ainda incluiu expressões como “burro” e “canalha”.

Mesmo com a sessão encerrada, a discussão não parou imediatamente. No desfecho mais grave do episódio, Amauri teria dito: “Não deixa eu por a mão em você não”. Em resposta, Major Araújo rebateu: “Põe a mão em mim pra você ver. Amanhã você amanhece morto. Vagabundo, safado”. A polícia foi acionada para conter a situação, e os dois deixaram o plenário pouco depois.

O episódio aprofundou o desgaste interno do PL em Goiás e mostrou que a ausência de Wilder Morais na votação do dia 29/04 segue produzindo efeito muito além de Brasília. O que começou como cobrança sobre uma decisão política terminou como mais um sinal do racha aberto dentro do partido no estado.

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