EUA avalia nova sobretaxa contra importações do Brasil

Foto: Reprodução/ Instagram

O governo dos Estados Unidos propôs uma nova tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras, em mais um capítulo da disputa comercial entre os dois países.

A proposta foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após a conclusão de uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O procedimento avaliou práticas brasileiras consideradas pelo órgão como “irrazoáveis” ou prejudiciais ao comércio norte-americano.

A decisão final sobre a aplicação da nova sobretaxa caberá ao presidente Donald Trump. Antes disso, o tema será submetido a uma etapa de consultas públicas nos Estados Unidos.

Segundo o USTR, a investigação analisou diferentes pontos da relação comercial com o Brasil, incluindo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais.

Entre os pontos citados está o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Para o governo norte-americano, determinadas políticas e práticas do Brasil poderiam restringir ou onerar empresas dos Estados Unidos.

A proposta não atinge todos os produtos brasileiros. Alguns itens ficariam fora da tarifa de 25%, como materiais informativos, doações e produtos que poderiam ter risco de desabastecimento no mercado norte-americano. A lista de exceções inclui alguns tipos de carne, frutas e café.

O USTR informou que mais de 30 pessoas foram ouvidas no âmbito da investigação, com mais de 295 comentários e réplicas apresentados.

Agora, o público poderá enviar manifestações por escrito até 01/07. Uma audiência pública está prevista para 06/07. Quem quiser participar presencialmente deve apresentar solicitação até 22/06.

A investigação começou em 15 de julho do ano passado, após determinação de Donald Trump. A medida foi tomada em meio a um período de tensão tarifária entre Brasil e Estados Unidos, depois de os norte-americanos aplicarem uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais “desleais”.

Nos últimos meses, o tema entrou na pauta de conversas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A última reunião entre os dois ocorreu em maio, na Casa Branca.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou nesta segunda-feira (01/06) que as conversas com o governo brasileiro foram “construtivas” e se intensificaram nas últimas semanas.

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