Christa Pike, a única mulher condenada à morte no Tennessee, nos Estados Unidos, e que pode se tornar a primeira a ser executada nesse estado em mais de 200 anos, sobreviveu às duas doses letais de pentobarbital administradas nesta quarta-feira (30), durante o procedimento de execução. Após o ocorrido, todas as execuções no estado foram suspensas até o fim do ano.
As testemunhas, entre elas jornalistas de diferentes veículos de imprensa, descreveram um procedimento muito mais demorado do que o previsto, que levou das 19h às 20h56 (horário local; 21h às 22h56 de Brasília).
Pike permaneceu acordada, falou e cantou com seu guia espiritual após o início da administração do fármaco e, depois da primeira dose, continuou se movendo e respirando de forma audível.
A jornalista Catherine Sweeney, da emissora de rádio WPLN, explicou que o protocolo do Tennessee prevê uma primeira administração de pentobarbital e, se necessário, uma segunda etapa. As testemunhas disseram que, após ambas as administrações, Pike continuou respirando e emitindo sons, incluindo roncos fortes, além de realizar movimentos de cabeça e pescoço.
A execução foi retomada depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou uma suspensão determinada horas antes por um tribunal federal de apelações. O caso fica em uma situação extraordinária depois de Pike ter sobrevivido às duas etapas de pentobarbital, já que seus advogados sustentam que o protocolo estadual não prevê o que acontece nessa circunstância.
Pike foi condenada à morte em 1996 pelo assassinato, cometido em 1995, de Colleen Slemmer, uma colega de 19 anos de um programa de capacitação profissional em Knoxville. O crime foi praticado por Christa junto com seu então namorado, Tadaryl Shipp, que foi condenado à prisão perpétua por ser menor de idade no momento do crime. Pike está no corredor da morte do Tennessee desde março de 1996.
Execuções suspensas
O governador do Tennessee, Bill Lee, anunciou, na madrugada desta quinta-feira (1°) a suspensão de todas as execuções no estado até o final do ano. Lee anunciou uma auditoria externa para “determinar exatamente o que aconteceu”. Além da execução de Christa, outra estava programada para ser realizada em 2026.
– Cumprir uma sentença legalmente imposta está entre as responsabilidades mais sérias do Estado, e o povo do Tennessee espera que isso seja feito de uma maneira que seja não apenas legal e constitucional, mas também eficaz – disse o governador.
O protocolo de execução do estado prevê a administração de uma segunda dose de drogas por meio de seringas, “caso o detento não esteja morto”, após a primeira dose. O documento não especifica o que deve ser feito caso o indivíduo continue vivo após a segunda dose. Esta é a segunda vez neste ano que o Tennessee não consegue realizar uma execução.
Em maio, autoridades estaduais cancelaram a execução por injeção letal de Tony Carruthers, condenado pelo sequestro e assassinato de três pessoas em 1994, após a equipe responsável pela execução tentar, sem sucesso, durante mais de uma hora, inserir um acesso venoso para a administração de pentobarbital.











