Nesta terça-feira (4/8), dados apresentados à Justiça Eleitoral mostraram que o patrimônio declarado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) passou de R$ 3.355.966,73, em 2018, para R$ 24.522.355,65 nas eleições de 2026.
A diferença entre as duas declarações é de R$ 21.166.388,92. O avanço corresponde a aproximadamente 630,7%, fazendo com que o valor informado neste ano seja 7,3 vezes maior que o registrado há oito anos.
As declarações de bens são fornecidas pelos próprios candidatos e disponibilizadas publicamente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O banco de dados reúne imóveis, veículos, aplicações financeiras, participações, créditos e outros direitos informados durante o registro das candidaturas.
A variação entre duas eleições, isoladamente, não comprova enriquecimento ilícito. Os valores podem sofrer influência de vendas, aquisições, recebimentos, aplicações financeiras e atualização da composição patrimonial declarada.
O crescimento chama atenção em meio à divulgação de dois negócios imobiliários envolvendo o senador. Um deles é um terreno de aproximadamente 51 mil metros quadrados em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.
O imóvel foi adquirido por Wagner em 2000 por R$ 28 mil — cerca de R$ 130 mil após correção pela inflação — e negociado por aproximadamente R$ 15 milhões. A área fica às margens da Via Metropolitana, rodovia planejada e contratada durante o período em que o petista governou a Bahia.
A defesa afirma que a negociação começou em 2024 e foi formalizada em 2025. O contrato previa o pagamento antecipado de R$ 2 milhões e a entrega do restante por meio de lotes de um futuro empreendimento imobiliário.
A transferência acabou interrompida depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a indisponibilidade de bens do parlamentar no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo a defesa, não houve irregularidade na transação.
A ordem judicial também atingiu o processo de transferência de um apartamento de Wagner no Corredor da Vitória, área nobre de Salvador. O imóvel havia sido negociado por cerca de R$ 10 milhões.
Não há, até o momento, decisão judicial que considere ilícitas a valorização do terreno ou as negociações imobiliárias realizadas pelo senador.
Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão em 18/6, durante a nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura possíveis irregularidades ligadas ao extinto Banco Master e a eventual concessão de vantagens econômicas em troca de influência política.
A decisão autorizou buscas contra o parlamentar e outros investigados. Segundo a Polícia Federal, há suspeitas envolvendo um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, pagamentos a uma empresa ligada à família do senador, viagens em aeronaves particulares e possível atuação em temas de interesse do conglomerado financeiro.
A autorização para as buscas não representa condenação nem recebimento de denúncia criminal. A apuração permanece em andamento, e a eventual responsabilização dependerá das provas reunidas e das decisões posteriores da Justiça.
O senador nega ter recebido dinheiro ou vantagens indevidas do Banco Master. Após a operação, ele afirmou que seu patrimônio está declarado e tem origem regular.
“Meu patrimônio é limpo”, declarou Wagner ao rebater as suspeitas. O petista também afirmou que possui documentos para explicar os negócios imobiliários e que permanecerá à disposição das autoridades.







