Nesta terça-feira (11/8), a comentarista econômica Miriam Leitão chamou atenção para a diferença entre os números oficiais da inflação e aquilo que o brasileiro percebe quando chega ao supermercado. Durante participação no Bom Dia Brasil, da TV Globo, ela afirmou que consumidores continuam com uma “sensação de preço alto” e de carestia, mesmo em um momento de desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A declaração ocorreu após a divulgação dos dados de julho. O IPCA avançou 0,07% no mês e acumulou 4,44% em 12 meses, abaixo dos 4,64% registrados até junho. A taxa de julho também ficou abaixo do teto de 4,5% do sistema de metas de inflação.
O ponto levantado pela comentarista é que uma inflação menor não significa necessariamente que aquilo que já ficou caro voltou a custar o mesmo de meses ou anos atrás. O índice mede a velocidade de variação dos preços. Portanto, quando a inflação desacelera, os valores podem continuar elevados, mas aumentando mais lentamente — ou, em determinadas categorias, começar efetivamente a cair.
Miriam reconheceu essa diferença ao mencionar a dificuldade enfrentada pelo consumidor para completar as compras mesmo diante de indicadores melhores. Na avaliação apresentada durante o programa, os números econômicos podem mostrar desaceleração enquanto a renda disponível das famílias continua pressionada pelo custo acumulado dos produtos e por outras despesas.
No supermercado, julho trouxe um movimento diferente daquele observado durante boa parte do primeiro semestre. O grupo de alimentos registrou recuo de 0,67%, segundo os dados apresentados durante o comentário. Produtos como batata, tomate e café estiveram entre aqueles que apresentaram redução de preço.
A queda não começou agora. Em junho, o grupo Alimentação e bebidas já havia recuado 0,24%, depois de registrar altas de 1,34% em abril e 1,33% em maio. Os dados oficiais do IBGE mostram, portanto, uma inversão recente na trajetória dos alimentos depois da pressão registrada nos meses anteriores.
Esse histórico ajuda a explicar por que uma redução recente não é necessariamente percebida de imediato pelas famílias. Mesmo que determinados itens tenham ficado mais baratos em junho e julho, o consumidor ainda carrega no orçamento os aumentos acumulados anteriormente.
Miriam também apontou outro componente: a renda disponível para fazer compras não depende apenas do preço dos alimentos. Contas fixas, dívidas e outros compromissos financeiros podem manter a percepção de orçamento apertado mesmo quando alguns produtos começam a apresentar queda.
A comentarista avaliou ainda que agosto pode trazer novo alívio e citou a possibilidade de uma inflação ainda menor, eventualmente negativa no mês. Trata-se, porém, de uma expectativa e não de um resultado já confirmado.










