A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu quatro pessoas durante a Operação Last Ride, deflagrada na terça-feira (1º) para desarticular uma associação criminosa envolvida na criação e no uso de cadastros fraudulentos em um aplicativo de transporte.
A ação foi conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), ligada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor). Três prisões ocorreram em Sobradinho e uma em Rio Verde (GO). Entre os detidos está o homem apontado como principal articulador do grupo.
Segundo as investigações, os suspeitos mantinham centenas de cadastros irregulares e utilizavam dados falsificados ou de terceiros para esconder a identidade dos verdadeiros motoristas. O esquema também permitia que pessoas bloqueadas anteriormente, sem habilitação ou com restrições relacionadas a antecedentes criminais continuassem atuando no serviço.
A prática, de acordo com a PCDF, não causava apenas prejuízo financeiro à empresa responsável pelo aplicativo. A fraude também comprometia a segurança dos passageiros e dificultava a identificação dos motoristas que realmente realizavam as viagens.
Em uma eventual ocorrência criminosa durante um trajeto, por exemplo, o cadastro poderia estar registrado em nome de outra pessoa, dificultando a identificação do responsável e a investigação. A presença de motoristas sem habilitação regular também representava risco à segurança no trânsito.
Durante a operação, os policiais apreenderam uma grande quantidade de dispositivos eletrônicos, além de documentos, cartões bancários e outros materiais relacionados ao caso. Os equipamentos passarão por perícia para tentar identificar novos cadastros fraudulentos, outros integrantes do grupo, movimentações financeiras e possíveis vítimas.
A investigação aponta que a associação tinha uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e utilização de diversos aparelhos eletrônicos, dados de terceiros, veículos e contas bancárias ligadas direta ou indiretamente aos envolvidos.
A Justiça também determinou restrições sobre veículos utilizados pelos investigados e medidas para bloquear ativos e preservar valores que possam estar relacionados às fraudes. O objetivo é evitar que possíveis recursos obtidos de forma ilícita sejam ocultados ou transferidos.
Os investigados são suspeitos de furto qualificado mediante fraude, associação criminosa, falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. Consideradas individualmente e somadas, as penas máximas dos crimes podem chegar a 32 anos de prisão, sem contar outras possíveis infrações que possam ser identificadas durante o avanço das investigações.
Os quatro presos passaram pelos procedimentos legais e permanecem à disposição da Justiça. As diligências continuam para identificar todos os envolvidos, calcular o prejuízo total causado, definir a responsabilidade de cada investigado e localizar outros bens e valores que possam ter origem nas atividades criminosas.








