O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que os alimentos continuam caros para parte da população durante um ato de campanha realizado na noite de quarta-feira (09/09), em Teresina, no Piauí. Um trecho do discurso ganhou repercussão nas redes sociais nesta quinta-feira (10/09).
Na gravação, Lula afirma saber que a comida não está barata e que os preços ainda incomodam os consumidores. A declaração é verdadeira, mas algumas publicações acrescentaram que o presidente teria “admitido que a inflação está alta”, frase que não aparece no trecho divulgado.
A gravação compartilhada também termina antes da conclusão do raciocínio. Logo depois de reconhecer o peso dos preços, Lula compara a inflação acumulada dos alimentos em seu governo com a registrada durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo os números apresentados pelo petista, a inflação dos alimentos teria alcançado 56% entre 2019 e 2022. No período iniciado em janeiro de 2023, a alta acumulada mencionada por ele foi de 13,6%.
A comparação precisa ser interpretada com cautela. O primeiro percentual compreende os quatro anos completos do governo Bolsonaro, enquanto o segundo considera o atual mandato até 2026, ano que ainda não terminou. Os índices citados também tratam especificamente dos alimentos e não representam, isoladamente, a inflação geral do país.
Os dados oficiais mais recentes reforçam essa diferença. Em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,07% e acumulou 4,44% em 12 meses. No mesmo período, o grupo alimentação e bebidas registrou queda de 0,67%.









