Em mais uma reportagem exclusiva da Revista Veja, mais um áudio atribuído a Daniel Vorcaro foi divulgado, no qual o fundador do Banco Master supostamente relata a reação que um integrante da Procuradoria-Geral da República (PGR) teria tido ao receber, por meio dos advogados do banqueiro, acusações envolvendo o Instituto Lula e o diretor da entidade, Paulo Okamotto.
Na gravação divulgada nesta sexta-feira (9), a voz atribuída a Vorcaro afirma: “Quando coloquei o Okamotto pra cá, na primeira vez que levei, por meio dos advogados, na PGR, ele falou: ‘pelo amor de Deus, cê não tem nada disso aqui não’”. Em seguida, diz que o argumento apresentado teria sido: “isso aqui foi em dinheiro, não consegue provar você tira tudo”.
Segundo a reportagem, o integrante citado por Vorcaro seria “Ubiratan”, descrito pela revista como auxiliar de Paulo Gonet. A PGR não confirmou esse diálogo.
A divulgação dos áudios provocou manifestações da PF, da PGR, da defesa de Vorcaro e do governo federal. A PGR afirma que Vorcaro não prestou depoimento oral e que as tratativas foram conduzidas por seus advogados; já a PF diz que ele não prestou depoimento com o teor publicado nem entregou à corporação documentos ou anexos com esse conteúdo.
Veja:
PF diz que não recebeu depoimento nem documentos com esse conteúdo
Em nota oficial, a Polícia Federal afirmou que Vorcaro “não prestou depoimento com o teor relatado na matéria” e tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo divulgado pela revista.
A corporação informou ainda que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa não foram aceitas porque não atenderam aos requisitos legais.
A PF recebeu nesta sexta-feira uma notícia-crime com pedido de providências urgentes para apurar fatos relacionados à publicação. O material foi encaminhado à área técnica para adoção das medidas de polícia judiciária.
A nota não fala sobre a autenticidade do arquivo de áudio divulgado pela Veja.
Leia a nota da PF na íntegra:
“A Polícia Federal esclarece, em relação à reportagem intitulada “Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo”, publicada pela revista Veja, nesta sexta-feira (9/10), que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito.
As propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa.
Por fim, a Polícia Federal informa que recebeu, nesta sexta-feira (9/10), notícia-crime com pedido de providências urgentes para apuração de fatos relacionados à publicação mencionada. O expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das providências de polícia judiciária.”
PGR afirma que não houve depoimento oral
A Procuradoria-Geral da República também afirmou que não houve depoimento oral de Vorcaro durante as negociações para uma eventual colaboração premiada.
Segundo a PGR, todas as tratativas foram conduzidas pelos advogados do ex-banqueiro, sem interlocução direta entre Vorcaro e representantes da Procuradoria.
“Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa”, informou o órgão.
A PGR afirmou ainda que as propostas foram recebidas na forma apresentada pelos advogados e que mantém o sigilo previsto em lei sobre o procedimento de colaboração.
Leia nota da PGR na íntegra:
“A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece que as tratativas de colaboração premiada envolvendo Daniel Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado, como devido.
Todas as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Não houve interlocução direta de Vorcaro com qualquer representante da PGR.
Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa.
A Procuradoria-Geral da República respeita o sigilo que se impõe, por lei, ao procedimento de colaboração premiada havido.”
Defesa de Vorcaro não reconhece autenticidade do material
A defesa de Vorcaro também contestou a forma como o material foi apresentado. Os advogados afirmaram que não confirmam o conteúdo divulgado e que não reconhecem sua “origem, autenticidade e integridade”. Também reiteraram que Vorcaro não prestou depoimento à PF ou à PGR durante as tratativas da colaboração.
A posição da defesa acrescenta uma questão ainda não esclarecida sobre o áudio: até o momento, não foram informados publicamente a data exata em que a gravação foi produzida, quem era o interlocutor de Vorcaro nem em quais circunstâncias a conversa teria sido registrada.







