O presidente Lula (PT) afirmou, no debate da TV Globo de sexta-feira (23/10), que não aceitaria ser chamado de “nove dedos” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) e exigiu que o adversário pedisse desculpas. Na tréplica, o candidato do PL recuou e se desculpou.
A expressão surgiu no primeiro bloco, no embate sobre salário mínimo e preço dos alimentos. Depois de defender a tarifa zero nos ônibus aos fins de semana, Flávio criticou a política econômica do governo. “Agora, não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”, disse o senador.
Lula respondeu no bloco seguinte. “Se tem alguém nesse púlpito que perdeu o dedo, fui eu”, afirmou. “Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos.” O presidente disse que perdeu o dedo quando trabalhava como torneiro mecânico. “Eu era de menor e trabalhava à noite”, contou. Ele acrescentou que Flávio “nunca trabalhou na vida” e cobrou retratação: “Você vai ter que pedir desculpas, porque o povo trabalhador está vendo.”
Na tréplica, Flávio pediu desculpas. “Lula, se eu te ofendi, porque eu te chamei de nove dedos, eu te peço desculpa, de verdade. Não queria te ofender”, disse. Em seguida, devolveu a cobrança e perguntou se o presidente também pediria desculpas aos brasileiros pelos preços altos nos supermercados.
Lula perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente com uma prensa, nos anos 1960, quando trabalhava em uma metalúrgica de São Paulo. A referência aos “nove dedos” é usada há anos por adversários do petista. O debate foi o último antes do segundo turno, marcado para este domingo (25/10).




