O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) só deixou o Brasil às 22h50 de terça-feira (27/10), segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina. A informação muda a versão que circulou durante todo o dia, de que o candidato derrotado à Presidência teria saído do país na madrugada e chegado aos Estados Unidos à tarde.
De acordo com o órgão argentino, Flávio cruzou por terra a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones. Ele estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas. Segundo a autoridade migratória, os quatro apresentaram documentos de viagem válidos, sem impedimento legal.
Cerca de 40 minutos depois, por volta das 23h30, a família embarcou em um voo particular, operado pela empresa argentina Baires Fly, com destino a Guayaquil, no Equador. O avião pousou na manhã desta quarta-feira (28/10) e, horas depois, decolou para Miami, nos Estados Unidos, com chegada prevista para as 10h39, horário de Brasília, segundo sites de monitoramento de voos.
A cronologia contradiz as informações divulgadas ao longo de terça. De madrugada, um site argentino publicou que Flávio teria cruzado a fronteira e embarcado rumo aos EUA. Ao longo do dia, a agência Reuters, citando uma autoridade americana, informou que o senador havia fugido para os Estados Unidos, e um advogado mexicano ligado ao presidente Donald Trump publicou que ele já estava em território americano.
Na manhã de terça, a própria Direção Nacional de Migrações havia informado que não tinha registro da entrada de Flávio na Argentina. O Ministério da Segurança do país chegou a dizer que o senador não havia entrado no território argentino. Durante todo o dia, aliados e advogados disseram que não conseguiam falar com ele.
A saída ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu Flávio de deixar o país e mandou que ele entregasse os passaportes. Como os documentos não foram entregues no prazo, a Polícia Federal (PF) os cancelou. Na segunda-feira (26/10), o senador havia gravado vídeo negando que pretendesse sair do Brasil.
Nesta quarta-feira, Trump disse a jornalistas que aprova a ida de Flávio para os Estados Unidos. “Acho que são boas pessoas”, afirmou. Segundo a Reuters, o Departamento de Estado concedeu vistos a Flávio e à família. O irmão do senador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, vive na Flórida.
Flávio é investigado em um inquérito no STF por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, ao lado do advogado Willer Tomaz. Até a publicação desta reportagem, não havia ordem de prisão contra ele, e a PF não havia se manifestado sobre a viagem.






