O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) voltou atrás e devolveu a classificação livre às animações do programa Record Kids Desenhos Bíblicos, exibido pela Record. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (3/11), menos de uma semana depois de a pasta ter reclassificado o conteúdo como não recomendado para menores de 12 anos.
A mudança anterior havia sido publicada em 28 de outubro, três dias após o segundo turno, pela Coordenação-Geral de Políticas de Classificação Indicativa. A análise apontou atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito. Com a faixa de 12 anos, a recomendação era de exibição na TV aberta apenas a partir das 20h.
O programa reúne animações com passagens do Antigo e do Novo Testamento, como parábolas atribuídas a Jesus Cristo e episódios da crucificação e da ressurreição. É exibido aos domingos, a partir das 9h, e integra a programação infantil da emissora desde 2003.
Na revisão, o ministério afirmou que a análise anterior não aplicou integralmente o Guia Prático de Classificação Indicativa, editado em 2025. O guia prevê atenuantes para conteúdos ligados a rituais, tradições e costumes religiosos e considera atenuante a estética infantilizada das animações.
“Os pontos centrais são o tratamento do contexto cultural e religioso e a aplicação dos atenuantes à obra em sua integralidade”, informou a pasta. O ministério afirmou ainda que o conteúdo bíblico infantil é expressão cultural protegida pela Constituição e que a classificação indicativa não é censura, mas um instrumento de informação às famílias.
O recuo ocorreu depois de críticas de parlamentares da oposição. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu explicações ao ministério e comparou o caso à transmissão do Carnaval de 2026, classificada como não recomendada para menores de 10 anos, apesar de cenas de nudez. Ele perguntou se a diferença seria “conveniência técnica” ou perseguição.
A nova decisão será publicada no Diário Oficial da União (DOU), e a Record será notificada formalmente.









