O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quarta-feira (2/9) que se reuniu com Daniel Vorcaro em março de 2025, em São Paulo. Segundo o magistrado, o encontro ocorreu por iniciativa do empresário e teve como assunto um processo relacionado a créditos de precatórios que interessavam ao Banco Master.
A reunião teria sido realizada em 14 de março daquele ano, na sede do Instituto Iter, instituição de ensino fundada por Mendonça e localizada na Alameda Santos. A data e o local aparecem em mensagens extraídas do celular de Vorcaro e divulgadas inicialmente em uma investigação jornalística sobre o encontro.
Em nota, Mendonça declarou que aquela foi a única vez em que recebeu o então controlador do Banco Master. O ministro afirmou que a conversa durou de 20 a 30 minutos e que se limitou a ouvir os argumentos apresentados. No mesmo mês, ele também teria recebido um advogado ligado ao caso e mantido os memoriais escritos entregues durante a interlocução.
O processo discutido foi identificado como a Suspensão de Tutela Provisória 976, a STP 976. A ação envolve créditos de precatórios da Agroindustrial Tabu, empresa do setor sucroalcooleiro, e tinha repercussão sobre interesses financeiros do Master. Naquele momento, o julgamento estava interrompido por um pedido de vista de outro integrante da Corte.
A explicação estabelece uma diferença relevante. Mendonça nega ter conversado sobre os problemas enfrentados pelo Banco Master no Banco Central ou sobre uma possível atuação em favor da instituição. Ao mesmo tempo, admite que a pauta envolvia um processo judicial de interesse do banco. De acordo com o ministro, sua posição posterior no caso foi contrária à tese defendida pelo empresário. A versão apresentada pelo gabinete foi reproduzida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL.
As mensagens atribuídas a Vorcaro indicam que a aproximação foi articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Em um dos diálogos, Cezinha informou ao empresário que Mendonça já o aguardava. Vorcaro respondeu que estava a caminho.
Outros registros apontam que o empresário chegou ao endereço no fim da tarde e só comunicou a saída ao motorista cerca de duas horas depois. Esse intervalo, porém, não comprova que todo o período tenha sido passado em conversa com o ministro. A versão oficial sustenta que o diálogo entre os dois durou, no máximo, meia hora.
Um áudio atribuído ao advogado Ciro Rocha Soares acrescentou pressão sobre a explicação. Na gravação, ele afirma ter conversado anteriormente com Mendonça sobre a situação do Master no Banco Central. O conteúdo revela o que o advogado dizia a Vorcaro, mas não demonstra, sozinho, que esse assunto tenha sido efetivamente discutido na reunião.
Também não foram divulgados gravação, ata ou relato independente capaz de reconstituir integralmente o encontro. O material conhecido confirma a articulação e a presença de Vorcaro no instituto, mas não comprova interferência de Mendonça no Banco Central, promessa de favorecimento, recebimento de vantagem ou decisão judicial negociada.
A reunião ocorreu quase um ano antes de Mendonça assumir a relatoria das investigações sobre o Banco Master no Supremo. Em março de 2026, já à frente do caso, o ministro determinou a prisão preventiva de Vorcaro e de outros investigados, atendendo a um pedido da Polícia Federal, conforme comunicado do próprio STF










