O ministro Kassio Nunes Marques confirmou na noite de domingo (25/10) a reeleição do presidente Lula (PT) e afirmou que a prorrogação do horário de votação “gerou dificuldades no processo eleitoral”. Segundo ele, a medida nunca havia sido adotada na história da Justiça Eleitoral.
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques fez o pronunciamento oficial sobre o resultado do segundo turno. Ele contou que telefonou para os dois candidatos. “Registro que liguei para os dois candidatos para confirmar o resultado do pleito”, disse.
Ao senador Flávio Bolsonaro (PL), o ministro disse ter cumprimentado pela campanha e pela “votação expressiva”. A Lula, afirmou ter registrado o reconhecimento da Justiça Eleitoral pela “expressiva vitória nas urnas”. O presidente reeleito será o 40º da República e toma posse em 5 de janeiro de 2027.
Nunes Marques destacou que Lula disputou oito eleições como candidato e venceu quatro. Segundo o ministro, a vitória “pertence, sobretudo, à eleitora e ao eleitor brasileiro, principais protagonistas das eleições”.
A maior parte do pronunciamento tratou da decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu a votação até as 19h nas seções que ainda estavam abertas. “Nunca, na história do TSE, houve qualquer prorrogação”, afirmou.
“Prorrogar uma eleição é possível, mas ela tem que ser pensada, ela tem que ser calculada e estruturada”, disse o presidente do TSE. Ele lembrou que milhares de urnas já estavam encerradas e que a programação dos equipamentos impede que sejam reabertas.
O ministro explicou que o tribunal precisou fazer uma “contenção extraordinária” no recebimento dos dados enviados pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). “Não sabíamos ao certo se teríamos armazenamento”, disse. A totalização foi suspensa no fim da tarde e retomada às 19h.
Mesmo assim, Nunes Marques garantiu que o resultado não foi afetado. “Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, declarou. Ele também negou que tenha havido incidentes no processo e atribuiu o desfecho ao trabalho da equipe técnica do tribunal.
Segundo o ministro, as explicações foram dadas para esclarecer dúvidas que circularam nas redes sociais, e não como crítica à decisão do Supremo. “A celeridade é indispensável em matéria eleitoral”, afirmou, ponderando que a rapidez não pode se sobrepor ao rito adequado.
Nunes Marques classificou as eleições de 2026 como “as mais inclusivas da história da República”. Mais de 158 milhões de eleitores estavam aptos a votar no segundo turno, e mais de 128 milhões compareceram. A abstenção foi de 19,21%, abaixo dos 21,08% do primeiro turno.
Foram usadas 499.248 urnas em mais de 95 mil locais de votação. Dessas, 1.551 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,31% do total. O ministro também cumprimentou os seis governadores eleitos no segundo turno, entre eles Celina Leão (PP), no Distrito Federal.
Mais cedo, em entrevista coletiva ao lado dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União), Nunes Marques havia afirmado que o segundo turno transcorria com baixo número de ocorrências e normalidade em todo o país.






