O ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou, em proposta de delação premiada rejeitada pelos investigadores, que aliados do senador Jaques Wagner (PT-BA) recebiam R$ 1 milhão por mês em dinheiro vivo. O pagamento faria parte de uma estrutura de repasses ligada a um contrato do Banco Master. O senador nega as acusações e classifica o relato como falso e oportunista.
Segundo a proposta, os valores estariam ligados ao contrato do Master com a PKL One, empresa estruturadora do Credcesta, cartão de crédito consignado oferecido a servidores públicos da Bahia. Vorcaro afirmou que Wagner teria tido participação oculta na privatização do Credcesta, em 2018, quando era secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, para direcionar a licitação a uma empresa de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro. No total, Vorcaro relatou pagamentos de R$ 3 milhões por mês, sem detalhar o destino da parte restante.
O ex-banqueiro também mencionou vantagens repassadas por meio de distribuição de lucros e dividendos e de contratos fictícios firmados com pessoas indicadas pelo senador, entre elas a filha de Wagner e uma empresa offshore. Vorcaro admitiu, no entanto, que não presenciou os acertos. Segundo ele, as informações foram repassadas por Augusto Lima.
Tanto a Polícia Federal (PF) quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram a delação do dono do Master por falta de elementos de corroboração. A primeira proposta foi recusada em maio, e a segunda, em junho. Na Operação Compliance Zero, a PF aponta que Wagner “teria recebido vantagens econômicas indevidas, direta ou indiretamente, do Master”. Augusto Lima foi preso preventivamente em novembro de 2025, passou 11 dias detido e foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Ele é monitorado por tornozeleira eletrônica.
A defesa de Jaques Wagner, que deixou a liderança do governo Lula no Senado em junho, afirmou que as declarações são “falsas e oportunistas, criadas para interferir nas eleições”. Segundo a nota, o senador não tem conhecimento sobre contratos “fictícios da PKL One e nunca teve nenhuma relação com essa empresa”. “Além disso, a mentira vem de uma pessoa que está presa, criando factoides na tentativa de ter de volta a sua liberdade. Vale reforçar, ainda, que o senador nunca teve qualquer vínculo com Daniel Vorcaro, nunca atuou em favor das pautas do Banco Master no Congresso Nacional e sempre votou contra os interesses do banco”, diz o texto.
A defesa de Augusto Lima não se manifestou.









