O presidente da ABDI e pré-candidato ao governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli (PSB), é alvo de denúncias de que utilizou uma “estrutura paralela” da agência para fins eleitorais.
Segundo relatos de ex-integrantes da equipe e mensagens internas obtidas pela reportagem, um núcleo denominado “bunker político”, localizado no Edifício Ariston, no Setor Comercial Sul, em Brasília, estaria dedicado à produção de conteúdos digitais, interação com eleitores e ataques a adversários, atividades que podem configurar campanha antecipada e uso irregular de estrutura pública.
As mensagens trocadas entre membros do grupo detalham metas diárias de engajamento: “responder 70 comentários e 10 publicações por dia”, “enviar 60 mensagens e realizar 30 ligações via WhatsApp”, além de “seguir um padrão de respostas humanizado”, com atenção à gramática e controle de emojis. 
Ainda de acordo com as denúncias, cinco notebooks e cinco celulares teriam sido adquiridos para uso exclusivo no grupo, simulando a presença digital de Cappelli nas redes sociais.
Relatos de ex-colaboradores apontam que servidores e contratados da ABDI participaram das atividades como se fossem parte da pré-campanha, dentro do horário de expediente e utilizando recursos da agência. Um dos ex-integrantes declarou que “o Cappelli é vingativo. Os caras vão perseguir. Eles têm medo de aparecer”.
O uso de bens públicos, estrutura estatal ou servidores em benefício de campanha configura hipótese vedada pela legislação eleitoral, por exemplo, o art. 73 da Lei 9.504/97.
O fato de Cappelli ocupar cargo público com visibilidade e, ao mesmo tempo, articular sua pré-candidatura ao GDF torna as denúncias especialmente sensíveis. A agência que dirige tem atribuições técnicas de desenvolvimento industrial e não deveria funcionar como ponto de coordenação político-eleitoral.
Até o momento, não há confirmação pública de abertura de inquérito eleitoral, mas os relatos e documentos levantam questionamentos sobre conduta e legalidade.








