Uma carta destinada à mãe da jovem de 24 anos mantida acorrentada durante cinco dias foi encontrada na sexta-feira (21/8), dentro do imóvel usado como cativeiro.
No bilhete, a vítima afirmava estar bem, pedia que a mensagem fosse lida com atenção e fazia um alerta: “Não chame a polícia”.
A Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO), por meio da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) do Entorno Oeste, localizou a jovem em uma casa no Bairro América III. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO).
O conteúdo aparentemente tranquilo da carta contrasta com a situação encontrada pelos policiais. A jovem estava sobre uma cama, com braços e pernas presos por algemas, cordas e uma corrente de ferro, além de usar uma máscara que, segundo a ocorrência, dificultava seus pedidos de socorro.
O texto também faz referências a R$ 50 mil, a um carro quitado e à escritura de uma casa em nome da vítima. Em outro trecho, ela afirma que Ailton Rodrigues de Souza, ex-marido apontado como responsável pelo cárcere, deixaria entre R$ 30 mil e R$ 50 mil para “os meninos sobreviverem”.
Até o momento, não há confirmação pública sobre as circunstâncias em que a carta foi escrita, se houve ameaça ou qual seria a relação entre os valores mencionados e o crime investigado. Esses pontos deverão ser esclarecidos no inquérito.
A jovem estava desaparecida desde segunda-feira (17/8), quando saiu da região da Morada da Serra para uma consulta em uma clínica na Barragem 1. Câmeras de segurança registraram a vítima deixando o estabelecimento, mas, depois disso, a família perdeu contato.
O ex-marido foi localizado por policiais em uma via pública. Segundo a PMGO, ele tentou fugir e resistiu à abordagem, mas foi detido. A análise de endereços ligados ao suspeito levou as equipes até a casa onde a vítima estava presa.
Após ser libertada, a jovem relatou que havia sido mantida sedada e violentada sexualmente durante o período de confinamento. As declarações ainda são apuradas pela Polícia Civil.
No imóvel, foram apreendidos uma arma de fogo com munições, algemas, cordas, correntes, medicamentos sedativos e um veículo. Bombeiros também participaram da ocorrência para cortar as amarras que prendiam a vítima.
Ailton Rodrigues de Souza foi preso em flagrante por suspeita de sequestro e cárcere privado. A investigação deverá esclarecer, além das denúncias de violência sexual, o contexto em que a carta foi produzida e a eventual relação das referências patrimoniais com o caso.





