Defesa de Vorcaro questiona perícia em celular no STF

Foto: Reprodução

O celular do dono do Banco Master teria sido manipulado depois de apreendido pela polícia. É o que sustenta a defesa de Daniel Vorcaro em petição apresentada nesta quinta-feira (29/10) ao Supremo Tribunal Federal (STF), com base em um laudo pericial contratado pelos advogados.

O aparelho foi apreendido em 17 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF). Segundo a defesa, o celular sofreu intervenções quando já estava “sob custódia policial e em modo avião”.

O documento cita 207 eventos de tela, 33 acionamentos da câmera frontal pelo componente oficial de reconhecimento e três conexões USB. A base de dados do WhatsApp teria sido modificada à 1h48min14, seis segundos após uma dessas conexões.

Ainda de acordo com a petição, em 18 de novembro de 2025, um dia após a apreensão, 657 arquivos foram modificados e 436 foram criados, entre eles 94 imagens e cinco bancos de dados. A extração oficial é datada de 19 de novembro, mas o relatório entregue à defesa contém 340 arquivos com datas de modificação de 13 e 14 de maio de 2026.

Os advogados também apontam falhas na documentação. Segundo eles, o termo de apreensão não registra marca, número de série, IMEI, estado do aparelho nem lacres, e uma mesma fotocópia foi usada para representar dois dispositivos diferentes.

O perito Marcos Monteiro, responsável pelo laudo da defesa, concluiu que, com o material disponível, não é possível verificar a integridade do conteúdo extraído nem a origem das alterações feitas entre a apreensão e a extração. Vorcaro contesta a autenticidade de parte das conversas que vazaram à imprensa.

Com base no laudo, a defesa reiterou o pedido para que a prisão preventiva do banqueiro seja substituída por medidas cautelares. A petição foi apresentada um dia depois de a PF indiciar Vorcaro por gestão fraudulenta, prestação de informações falsas, estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Para a PF, Vorcaro tinha conhecimento da origem e das inconsistências dos créditos supostamente sem lastro vendidos pelo Master ao Banco de Brasília (BRB). O Master foi liquidado pelo Banco Central.

Até a publicação desta reportagem, a PF não havia se manifestado sobre as alegações da defesa.

Políticas de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.