Nesta quinta-feira (13/8), o homem que chutou a cabeça de uma criança de 5 anos na 302 Sul, na Asa Sul, tornou-se o primeiro caso submetido ao Protocolo de Internação Involuntária Humanizada do Governo do Distrito Federal (GDF). A medida foi acionada após a repercussão da agressão registrada por câmeras de segurança na manhã de quarta-feira (12/8).
A decisão, no entanto, não significa que a internação já tenha sido determinada. O caso seguirá para avaliação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), responsável por analisar clinicamente se existem condições que justifiquem a medida.
Segundo o secretário de Segurança Pública do DF, Alexandre Patury, o episódio envolvendo Celso Pinheiro, de 41 anos, será o primeiro submetido ao novo protocolo adotado pelo governo.
O próximo passo será uma avaliação médica no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), em Taguatinga, unidade de referência da rede pública para urgências e emergências em saúde mental. Somente após essa análise os profissionais poderão indicar ou descartar a necessidade de internação involuntária. O hospital atende, entre outros casos, pacientes com agitação intensa, comportamento violento e risco para si ou para terceiros.
Ataque foi registrado por câmera
O caso começou em frente a uma lanchonete da 302 Sul. A criança estava acompanhada da mãe, que empurrava um carrinho com outro filho, quando o homem se aproximou e atingiu o menino com um chute na cabeça.
Com a força do golpe, a criança caiu no chão. A mãe imediatamente correu para socorrê-la.
Um delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que estava no estabelecimento, percebeu a agressão, interveio e acionou a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). O homem foi contido com a ajuda de outras pessoas que estavam no local.
Durante a abordagem, ele também teria dado uma cabeçada em uma policial. O suspeito acabou conduzido à delegacia e inicialmente autuado por resistência.
Homem foi levado duas vezes à delegacia
Depois da primeira ocorrência, policiais conseguiram obter as imagens da agressão contra a criança. O homem foi novamente levado à 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) e autuado por lesão corporal.
Como a mãe da criança ainda não havia sido localizada para formalizar a ocorrência, foi elaborado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Após os procedimentos, ele foi liberado.
Na sequência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) levou o homem ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran) para atendimento de uma lesão na cabeça. A previsão é que, posteriormente, ele seja encaminhado ao Hospital São Vicente de Paulo para a avaliação específica relacionada ao protocolo.
Até a manhã desta quinta-feira, a eventual internação ainda não havia sido confirmada.
Primeiro caso do protocolo
O encaminhamento ocorre em meio à implementação, pelo GDF, de uma política voltada a situações excepcionais envolvendo pessoas em situação de rua que apresentem risco à própria vida ou a terceiros.
A proposta apresentada pelo Executivo estabelece que uma eventual internação involuntária deve ser utilizada como última medida terapêutica, por período determinado e mediante avaliação médica individualizada. O texto também rejeita recolhimentos generalizados de pessoas em situação de rua.
No caso da 302 Sul, portanto, o acionamento do protocolo abre uma avaliação de saúde e não representa, por si só, ordem automática de internação.
Até a última atualização, não havia informação divulgada sobre o estado de saúde da criança.







