Mesmo no período mais intenso da estiagem, o Distrito Federal atravessa o início de setembro com os principais reservatórios em níveis elevados. O Descoberto está com 85,3% do volume útil, enquanto Santa Maria registra 92,2%, segundo dados apresentados nesta sexta-feira (04/09).
Os números foram apresentados pelo diretor-presidente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa), Raimundo Ribeiro, durante entrevista ao programa Vozes da Comunidade. Segundo ele, os dois reservatórios estão atualmente no Estado Hidrológico Verde, situação considerada confortável para o abastecimento.
O cenário reforça uma tendência que já vinha sendo registrada nas últimas semanas. Em 20 de agosto, dados oficiais da Adasa mostravam o Descoberto com 89,2% da capacidade e Santa Maria com 94%.
A redução dos percentuais desde então ocorre justamente durante o avanço da estação seca, quando praticamente não há reposição pelas chuvas.
Situação é melhor que no ano passado
Os números de agosto também apontavam vantagem considerável em relação ao mesmo período de 2025.
Na ocasião, o Descoberto estava com 81% e Santa Maria com 73%. Ou seja, mesmo em plena estiagem de 2026, os dois principais mananciais chegaram ao segundo semestre em uma condição mais favorável que a registrada um ano antes.
O Descoberto é especialmente importante para a segurança hídrica da capital. Segundo dados oficiais, o sistema atende aproximadamente 64% da população de Brasília, enquanto Santa Maria, integrante do sistema Santa Maria/Torto, responde por cerca de 19%.
Integração dos sistemas aumentou segurança
Parte da maior segurança no abastecimento está relacionada à diversificação das fontes utilizadas pelo Distrito Federal.
Segundo Ribeiro, a integração dos sistemas Santa Maria/Torto, Paranoá, Descoberto e Corumbá IV ampliou as alternativas disponíveis e diminuiu a dependência de um único reservatório.
O presidente da Adasa também destacou que o planejamento passou a envolver acompanhamento permanente das curvas dos reservatórios, permitindo identificar antecipadamente alterações que possam representar risco para o abastecimento.
Esse monitoramento ganha importância especialmente entre agosto e setembro, tradicionalmente meses críticos da seca brasiliense.
Racionamento não está no horizonte próximo
Diante dos volumes atuais, Ribeiro afirmou que o Distrito Federal vive uma situação de relativa tranquilidade e descartou, no cenário apresentado durante a entrevista, risco de racionamento no curto prazo.
A avaliação, no entanto, não significa que a disponibilidade de água possa ser tratada como ilimitada.
“Isso nos dá uma certa tranquilidade, mas não faz com que deixemos de nos preocupar.”
Segundo o dirigente, o comportamento dos reservatórios precisa continuar sendo acompanhado mesmo depois da chegada das primeiras chuvas, já que o ciclo hidrológico não acompanha simplesmente a mudança das estações no calendário.
“Não podemos baixar a guarda”
Apesar dos índices elevados, a orientação continua sendo pelo consumo consciente.
Ribeiro alertou que a boa situação dos reservatórios não deve estimular desperdício e defendeu que o uso racional da água seja mantido mesmo quando não há risco imediato de desabastecimento.
A mensagem é particularmente importante porque os reservatórios seguem perdendo volume naturalmente durante a estiagem. Entre 20 de agosto e o início de setembro, por exemplo, o Descoberto passou de 89,2% para 85,3%, enquanto Santa Maria recuou de 94% para 92,2%.
Mesmo assim, o DF chega ao auge da seca com uma reserva hídrica elevada e cenário significativamente mais confortável que em anos anteriores.
A recomendação é aproveitar essa segurança sem abandonar os hábitos de economia de água que ajudam a preservar os mananciais até a consolidação do próximo período chuvoso.







