O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a defender boicotes a estabelecimentos comerciais por divergências políticas. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou ainda que o Brasil enfrenta uma “crise espiritual disfarçada de crise política”.
A declaração ocorre em meio à onda de boicotes que se seguiu à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Segundo o parlamentar, consumidores de direita têm o direito de deixar de frequentar estabelecimentos de empresários e artistas que, na avaliação dele, atacaram eleitores desse campo político.
“Agora a gente não quer mais consumir ou fortalecer pessoas que não condizem com os nossos princípios”, afirmou Nikolas, o deputado federal mais votado do país nas eleições de 2026.
O parlamentar, no entanto, distinguiu boicotes comerciais da suspensão de ações de caridade por motivos políticos. Para ele, deixar de ajudar pessoas necessitadas por causa do voto é errado e contraria os princípios cristãos. “Uma pessoa deixar de ser caridoso com alguém por conta de quem ela votou é errado, e não é uma atitude cristã”, declarou.
Apesar disso, Nikolas criticou quem cobra solidariedade diante dos boicotes. Ele acusou essas pessoas de demonstrar uma “aparência de virtude” e de se calar diante do que chamou de perseguições a cristãos e conservadores. “E a crise que vivemos é, na verdade, uma crise espiritual disfarçada de crise política. Simples assim”, concluiu.
O vídeo foi publicado depois de o deputado ironizar a perda de doações do projeto Cozinheiros do Bem, que distribui refeições a pessoas em situação de rua em Porto Alegre (RS). O responsável pela iniciativa, o chef Julio Ritta, relatou que empresários e doadores suspenderam contribuições após a vitória de Lula. Ao comentar o caso, Nikolas defendeu a liberdade de escolha dos doadores.
Os boicotes viraram alvo de investigação. Nesta semana, deputados do PT, entre eles Erika Kokay (DF), pediram à Procuradoria-Geral da República (PGR), à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) uma apuração nacional sobre listas que circulam em pelo menos oito estados. Os documentos reúnem nomes de comerciantes, autônomos e trabalhadores apontados como eleitores de Lula e pedem boicote, demissões e recusa de contratação.
Segundo o MPT, até 26 de outubro haviam sido registradas 1.937 denúncias de assédio eleitoral no país. A escolha individual de onde consumir é livre. Já a demissão ou a discriminação de trabalhadores por convicção política pode configurar assédio eleitoral e crime, conforme a legislação trabalhista e eleitoral.







