Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, resgatada após passar cinco dias amordaçada e acorrentada em um cativeiro em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, já havia procurado a polícia e solicitado medidas protetivas contra o ex-marido, Ailton Rodrigues Mendes. O pedido mais recente foi negado pela Justiça de Goiás.
Segundo o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), Emiliane relatou, em 2026, episódios que teriam ocorrido entre dezembro de 2025 e março deste ano. Entre eles estavam danos a uma câmera de segurança, lançamento de artefatos explosivos nas proximidades da residência e o afrouxamento dos parafusos de seu veículo.
A jovem, segundo o tribunal, afirmou não ter certeza sobre a autoria dos episódios e apenas suspeitava do envolvimento do ex-marido. Depois, ela relatou uma invasão à residência, com destruição de câmeras de segurança e pichações no muro. O TJGO informou que também não havia, nesse caso, elementos que vinculassem os fatos ao ex-companheiro.
À época, o Ministério Público se manifestou pelo indeferimento do pedido. A Justiça entendeu que não havia elementos objetivos suficientes para comprovar a existência de um risco atual e relacionar Ailton aos episódios relatados. A decisão, no entanto, deixou aberta a possibilidade de um novo pedido caso surgissem fatos novos e concretos.
Denúncias anteriores
De acordo com a delegada Tamires Teixeira, da Delegacia da Mulher de Águas Lindas de Goiás, Emiliane já havia solicitado medidas protetivas em 2020, após relatar ameaças. Naquele período, a Justiça concedeu a proteção por 180 dias.
Em abril de 2021, porém, durante um inquérito policial, a própria vítima informou que não tinha interesse na continuidade da investigação. O Ministério Público pediu o arquivamento do procedimento por falta de justa causa, e a Justiça determinou também a revogação e o arquivamento da medida protetiva. O arquivamento definitivo foi certificado em setembro daquele ano, segundo o TJGO.
Ainda conforme a delegada, em 2026 Emiliane voltou a denunciar situações que, segundo ela, indicavam perseguição por parte do ex-marido. Entre os relatos estavam o suposto afrouxamento de um parafuso do pneu do carro e pichações no muro da casa.
Em outro episódio, a jovem procurou a delegacia e relatou ter sofrido queimaduras pelo corpo depois de abrir o chuveiro. A polícia recolheu uma amostra da água apresentada por ela e encaminhou o material para perícia.
Resgate
Segundo a polícia, a jovem era considerada desaparecida desde 17 de agosto, quando saiu de casa para uma consulta e não voltou. Naquele dia, ela utilizou um mototáxi para chegar a uma clínica localizada na região da Barragem 1. Câmeras de segurança registraram o momento em que deixou o estabelecimento. Depois disso, ela teria sido levada para o cativeiro.
Policiais da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) Entorno Oeste localizaram a vítima depois de abordarem Ailton em uma via pública. Conforme a PMGO, o homem teria tentado fugir e resistido à abordagem, mas acabou preso.
Veja:
A partir de informações sobre endereços ligados ao suspeito, os policiais chegaram ao imóvel onde a jovem estava. Ela foi encontrada presa com algemas, cordas e uma corrente de ferro, além de estar com o rosto coberto por uma máscara e amordaçada.
No local, os policiais apreenderam um carro, uma arma de fogo, algemas, cordas, correntes e sedativos. Após o resgate, Emiliane relatou à polícia que teria sido estuprada diversas vezes pelo ex-marido.
Prisão

Ailton foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva após a audiência de custódia. Durante o procedimento, ele afirmou ser registrado como Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), mas negou ter utilizado a arma para ameaçar ou sequestrar a ex-esposa. Segundo ele, a arma estava guardada.
A defesa de Ailton afirmou que o inquérito ainda está em andamento e que seria prematuro fazer uma conclusão sobre os fatos. Em nota, o advogado Ilvan Barbosa também disse que nem tudo o que foi divulgado corresponde necessariamente à realidade e que a defesa confia que as investigações vão esclarecer o caso.
O TJGO, por sua vez, afirmou que as decisões tomadas nos processos envolvendo as partes foram fundamentadas nos elementos disponíveis em cada momento e seguiram a Lei Maria da Penha e o devido processo legal. O tribunal também informou que existem outros procedimentos judiciais em andamento envolvendo os dois, sendo um deles de natureza cível e outro sob segredo de Justiça.
O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás.










