A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, nesta quarta-feira (2/9), em Águas Lindas (GO), Gisele Moreira da Silva, de 42 anos. Ela é acusada de ter segurado Jussiara Ferreira dos Santos, também de 42 anos, durante o ataque que terminou com a morte da vítima em Samambaia.
Segundo as investigações da 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul), Gisele seria amiga de Jussiara e teria participado do crime ao lado de João Alberto Mesquita da Silva, ex-companheiro da vítima. O caso é investigado como feminicídio consumado e ameaça.
O ataque ocorreu por volta das 4h do último sábado (29/8). Mesmo ferida, Jussiara conseguiu chegar à casa de familiares e pedir socorro. Ela foi levada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT), mas morreu na unidade.
A investigação aponta que o crime teria sido motivado por uma discussão envolvendo R$ 10. Conforme o relato de uma testemunha, João Alberto e Gisele queriam pegar o dinheiro que estava com Jussiara. A vítima teria se recusado a entregar a quantia porque pretendia usá-la para comprar um lanche. Ainda segundo a testemunha, os dois queriam o dinheiro para comprar drogas.
João Alberto, conhecido como “Juninho”, foi preso em flagrante após o crime. Nesta terça-feira (1º/9), durante audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva pelo Núcleo Permanente de Audiência de Custódia.
Horas depois do ataque, por volta das 12h, João Alberto também teria ameaçado uma familiar de Jussiara em uma via pública. Segundo o relato registrado pela polícia, ele teria dito que mataria a mulher e toda a família da vítima. O homem também teria afirmado que iria ao hospital para matar Jussiara e “terminar o serviço”.
Durante buscas na casa de João Alberto, os policiais apreenderam quatro facas, um casaco e um celular. De acordo com o registro policial, a entrada no imóvel foi autorizada pelo proprietário.
Familiares contaram à polícia que Jussiara e João Alberto tiveram um relacionamento e chegaram a morar juntos, mas estavam separados. Uma testemunha também relatou que o homem já teria agredido a ex-companheira durante o relacionamento.
O corpo de Jussiara será sepultado nesta quinta-feira (3/9), no cemitério Campo da Esperança, em Taguatinga. Familiares e amigos participam da despedida, marcada para começar às 8h30.
Medida protetiva foi revogada
Jussiara já havia obtido uma medida protetiva contra João Alberto. A proteção, porém, foi revogada em 2019, depois que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pediu o arquivamento do processo.
Na época, a Justiça do Distrito Federal considerou que as provas reunidas não eram suficientes para iniciar uma ação penal e determinou o arquivamento do procedimento policial.
João Alberto também possui registros anteriores por ameaça e lesão corporal. Em 2015, ele foi acusado de esfaquear o companheiro de uma ex-namorada durante uma discussão motivada por ciúmes. Segundo o registro, ele teria pulado o muro da casa da mulher e invadido o imóvel.
Durante uma luta corporal, João teria ido até a cozinha, pegado uma faca e atingido o homem nas costas, na mão direita e no braço esquerdo. Mesmo ferida, a vítima conseguiu correr até um posto da Polícia Militar e depois foi levada ao hospital.
Já em 2025, João Alberto foi detido e assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) após, segundo a PMDF, ameaçar um vigilante e uma técnica de enfermagem em uma UPA de Samambaia. Conforme o registro, ele apresentava comportamento hostil e teria tentado entrar na unidade à força.
Durante a ocorrência, o homem teria ameaçado o vigilante e, na abordagem, os policiais encontraram uma faca na cintura dele. Como o caso foi considerado de menor potencial ofensivo, foi registrado um TCO e a arma foi apreendida.








