Kassio Nunes Marques avalia se declarar impedido de votar na sessão desta terça-feira (15/9) que decide se será aberta investigação contra Alexandre de Moraes.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou a interlocutores, na manhã desta terça-feira, que estuda a possibilidade, segundo apuração divulgada na imprensa. A avaliação começou depois da publicação de uma série de mensagens que expõem relação dele e de familiares com o banqueiro Daniel Vorcaro e com outros personagens do Caso Master.
As conversas foram extraídas do celular do banqueiro. Em um dos trechos, o nome do advogado Kevin Marques, filho do ministro, aparece associado ao valor de R$ 500 mil, ao lado de um número de telefone.
O registro está em mensagem enviada às 10h41 de 4 de julho de 2025 pelo então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, que encaminhou a Vorcaro um arquivo com o nome do advogado e o texto “Esse aqui — 500 mil mês — mantém?”. Na sequência, o executivo enviou risadas e comentou “Esse aqui já era, né?”, ao que o banqueiro respondeu com “kkkk”.
Em 8 de agosto do mesmo ano, Rennó reenviou a mesma planilha com o valor e o nome do advogado, acompanhada de três mensagens: “esse aí”, “único meu que faltou” e “foi pago”.
Procurado, o ministro afirmou que o filho nunca trabalhou para o Master e que, portanto, não recebeu valor algum da instituição. Ele disse ainda não ter tido acesso ao conjunto de mensagens divulgado.
Outro conjunto de conversas do mesmo aparelho envolve uma mulher identificada como Rayanna, que tratou com o banqueiro de um encontro com mulheres. Em 28 de fevereiro de 2025, ela pergunta “Qual o endereço, Dani?” e avisa “As meninas estão prontas”. Vorcaro responde indicando um endereço na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim Bibi, em São Paulo.
Uma semana depois, em 7 de março, ela retoma o assunto. “A minha amiga lá aquele dia! Deu certo né?”, pergunta, antes de afirmar que “ela disse que ficou com o kassio” e que “ela tá me cobrando aqui”. O banqueiro pede então os dados para pagamento, com as mensagens “Me manda aqui” e “Dados e valor”. “10 né!”, responde a interlocutora, que acrescenta “Ela ficou com ele” e envia um endereço de e-mail.
As mensagens não informam o sobrenome de “kassio”, não esclarecem a natureza do encontro nem especificam a que se refere o número “10”. O ministro negou à imprensa ter tido encontro com a mulher citada.
Em outro trecho do material, sem relação estabelecida com essa conversa, aparece o número de telefone de Kassio Nunes Marques. Em mensagem de dezembro de 2024, ele pede ajuda para organizar uma viagem. “Bom dia Leo. Ministro Kassio. Preciso da sua ajuda para formatar uma viagem de uns 10 dias, entre 8 e 18 de janeiro, para 5 pessoas”, diz o texto, no qual afirma preferir destinos onde se fale português ou espanhol e menciona cidades como Budapeste, Graz e Salzburgo, além do Peru.
O material também traz uma mensagem em que um executivo do banco comunica a Vorcaro que “ganhamos Alcídia”, referência à destilaria Alcídia, de Teodoro Sampaio, em São Paulo, que venceu no Supremo uma causa de repercussão bilionária, com julgamento concluído em 1º de outubro de 2024. O resultado interessava ao banco, que mantinha em balanço uma carteira estimada em R$ 10 bilhões de precatórios do setor. Antes da conclusão, o processo esteve parado por um pedido de vista de Nunes Marques, que precisava liberar o caso para julgamento.
A eventual saída dele altera a conta de votos na sessão desta terça-feira. O tribunal tem atualmente dez ministros, e a maioria simples exige seis votos. Aliados de Moraes avaliavam levantar questão de ordem para discutir a participação de Nunes Marques e também a do ministro Luiz Fux, cujo filho foi associado à presença em camarote oferecido pelo banqueiro no Carnaval de 2025.









