O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou na noite de domingo (25/10) que não reconhece a vitória do presidente Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial e que vai pedir a anulação do pleito. “É impossível reconhecer o resultado das eleições”, declarou.
O candidato derrotado atribuiu sua posição à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação até as 19h nas seções que ainda estavam abertas no país. “Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada”, disse.
“O que aconteceu hoje não foi normal. Foi algo inaceitável”, afirmou o senador. Segundo ele, Zanin, que foi advogado de Lula antes de chegar ao Supremo, “atropelou a Justiça especializada”, provocando uma “quebra total de isonomia”. “Vamos pedir a anulação das eleições. Essa eleição foi tomada. Essa sacanagem”, disse.
Flávio acompanhou a apuração no comitê de campanha, em Brasília. Após a confirmação da derrota, o ambiente foi de silêncio, e apoiadores começaram a deixar o local. O deputado federal Danilo Forte (PP-CE), um dos primeiros a sair, disse à imprensa que o resultado seria contestado.
Durante a tarde, aliados do senador já haviam reagido à prorrogação. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou o “nível de intervenção de alguns ministros do STF” e disse esperar que um “golpe judiciário ou chicana administrativa” não prosperasse.
A própria campanha de Flávio havia pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação do horário em municípios de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, alegando chuvas fortes, deslizamentos e bloqueios em estradas.
Zanin atendeu a um pedido da campanha de Lula, protocolado no meio da tarde. A decisão foi depois esclarecida para valer apenas nas seções que ainda funcionavam às 17h. Em várias unidades da federação, entre elas o Distrito Federal, a votação terminou no horário normal.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou no pronunciamento oficial que a prorrogação “gerou dificuldades” e que nunca havia sido adotada na história do tribunal. Garantiu, porém, que o resultado não foi afetado. “Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, declarou.
O ministro também disse ter telefonado aos dois candidatos para comunicar o resultado. Segundo ele, cumprimentou Flávio pela campanha e pela “votação expressiva”.
Com 99,9% das seções apuradas, Lula teve 51,77% dos votos válidos, mais de 64,1 milhões, contra 48,23% de Flávio, cerca de 59,7 milhões. A diferença ficou perto de 4,4 milhões de votos. No primeiro turno, o senador havia liderado, com 47,03%, contra 45,16% do petista.
Em seu discurso de vitória, Lula não mencionou o adversário. Disse que a eleição foi “uma derrota do negacionismo, uma derrota da mentira” e que agora não tem mais adversário. Até a publicação desta reportagem, a campanha do PT não havia comentado a declaração de Flávio.
Em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, levou cerca de dois dias para se pronunciar após a derrota para Lula. Ele não reconheceu explicitamente o resultado, mas autorizou o início da transição. Flávio não disputou a reeleição ao Senado e fica sem mandato a partir de fevereiro de 2027.






