Vídeo: Celina acusa Lula de usar o BRB como arma eleitoral

Imagens: Reprodução

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), gravou um vídeo divulgado na manhã desta quinta-feira (17/9) para acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de transformar o banco público local em instrumento de campanha.

A gravação responde às declarações feitas pelo presidente na noite de quarta-feira (16/9), durante ato do Partido dos Trabalhadores em Ceilândia, quando ele descartou destinar recursos federais ao Banco de Brasília (BRB).

O ponto central da resposta da governadora é a natureza do pedido feito ao governo federal. “Ninguém está pedindo dinheiro ao governo federal, presidente. Nós estamos pedindo o aval da União para uma operação de crédito. Aval não é doação, aval nós temos que pagar”, afirmou.

Celina separou a disputa eleitoral do futuro do banco. “O presidente pode me atacar, apoiar o meu adversário e fazer campanha contra mim. O que você não pode fazer é transformar o BRB em uma arma eleitoral”, declarou.

A governadora também classificou as críticas como ataques de ordem pessoal. “Eu lamento muito que o presidente Lula tenha escolhido partir para a ofensa pessoal, fazendo várias agressões a uma governadora mulher”, disse.

No vídeo, ela ainda estranhou o tratamento dado ao Distrito Federal em comparação com outras estatais, ao citar o aval concedido pelo governo federal a operações de crédito bilionárias em favor dos Correios. A instituição, segundo a governadora, é patrimônio do Distrito Federal e envolve funcionários, clientes, empresas e famílias.

Na véspera, no palanque de Ceilândia, Lula havia sido direto ao descartar o socorro. “Nós não vamos deixar o povo sem dinheiro. Mas não vamos dar dinheiro para o BRB”, afirmou o presidente, que atribuiu a crise à gestão anterior. “Quem quebrou o BRB foi a ligação entre o Ibaneis e o Vorcaro, do Banco Master”, disse, ao mencionar a compra de títulos inexistentes que somariam R$ 12 bilhões.

A disputa gira em torno de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado a capitalizar o banco. Sem caixa para o aporte direto, o Governo do Distrito Federal depende da garantia da União para contratar a operação e recorreu ao Supremo Tribunal Federal no início do mês para tentar obrigar o governo federal a concedê-la.

O Ministério da Fazenda resiste ao pedido e sustenta que o Distrito Federal não cumpre os critérios do Tesouro Nacional, já que a capacidade de pagamento local está classificada na categoria C, a segunda pior da escala.

A crise financeira do banco tem origem nas operações com o Banco Master. A tentativa de compra da instituição privada foi rejeitada pelo Banco Central, e investigações da Polícia Federal apontam que cerca de R$ 12,2 bilhões dos valores transferidos estavam em títulos sem lastro.

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