“Gato” desviava energia suficiente para 7,5 mil casas no DF

Foto: Divulgação/Neoenergia

Um esquema de furto de energia capaz de abastecer aproximadamente 7,5 mil residências durante um mês foi desmantelado na quarta-feira (2/9), em uma área rural de Brazlândia. A ligação clandestina alimentava uma fábrica de sacolas que funcionava irregularmente havia cerca de três anos.

A operação foi realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 18ª Delegacia de Polícia, em conjunto com a Neoenergia Brasília. Durante a fiscalização, as equipes encontraram um transformador de 225 kVA instalado sem autorização.

A estrutura funcionava como o coração elétrico da fábrica. Em vez de passar pelo sistema regular de medição e cobrança, a energia chegava ao empreendimento por meio do desvio identificado pelos técnicos.

Segundo estimativa da distribuidora, aproximadamente 1,4 gigawatt-hora (GWh) de energia foram desviados durante o período de funcionamento do esquema. O volume seria suficiente para atender 7,5 mil casas durante 30 dias.

O transformador e os demais componentes da ligação clandestina foram retirados pelas equipes responsáveis pela operação. Duas pessoas foram conduzidas à 18ª Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos sobre o funcionamento da fábrica e a origem da instalação.

A condução à delegacia não significa, por si só, que houve prisão. A investigação deverá identificar quem instalou a estrutura, quem tinha conhecimento do desvio e quem era diretamente beneficiado pela energia furtada.

O responsável pela fraude poderá responder criminalmente por furto de energia. A conduta está prevista no artigo 155 do Código Penal, que equipara a energia elétrica a bem móvel para efeitos legais.

Além do prejuízo financeiro, instalações clandestinas podem provocar sobrecarga, oscilações e interrupções no fornecimento. Transformadores e cabos montados fora dos padrões técnicos também aumentam o risco de choques, curtos-circuitos e incêndios.

A descoberta chama atenção não apenas pelo tempo de funcionamento da fraude, mas pela capacidade da estrutura. Com potência de 225 kVA, o transformador permitia o funcionamento contínuo de uma atividade industrial sem que todo o consumo passasse pela medição regular.

A apuração continuará para dimensionar o prejuízo e definir a responsabilidade das pessoas envolvidas. Os nomes dos investigados e da fábrica não foram divulgados.

Suspeitas de ligações clandestinas, adulterações de medidores ou desvios podem ser comunicadas à Neoenergia Brasília pelo telefone 116. As denúncias também podem ser encaminhadas às forças de segurança do Distrito Federal.

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